Informativo Abiove  
  ABIOVE e cadeia produtiva promovem boas práticas socioambientais na sojicultura brasileira, revela
   estudo da TNC
 
2º Seminário Anual do Programa Soja Plus, em Brasília, reuniu deputados, representantes do governo,
   de ONGs e de embaixadas
Financial Times discute, em Londres, os desafios de uma agricultura sustentável no Brasil
A redução do custo Brasil
Nota de esclarecimento: Nosso Agronegócio sob a tutela do Greenpeace?
I Seminário Soja Plus
Desmatamento da Amazônia apresenta redução e Moratória da Soja é uma das causas.
Lançamento do Soja Plus
Moratória da Soja no Bioma da Amazônia na COP15
Carlo e Sabine Lovatelli são homenageados
Teleconferência Internacional do 3º Aniversário da Moratória da Soja
Moratória da Soja, novos desafios marcam a renovação da parceria de empresas e ONGs
Soja traz bem estar social para região da Amazônia
Óleo de soja não apresenta risco à saúde humana garante ITAL
Ações estratégicas para a produção sustentável de soja
Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo
Quando o Amazonas corria para o Pacífico: uma história desconhecida da Amazônia
Campeões de desmatamento
2º Diagnóstico do plantio direto no Brasil
Câmara Temática de Competitividade e Sustentabilidade do Agronegócio
Universidade de Harvard e os óleos vegetais
Saúde e beleza
Alimentos à base de soja significam saúde
Óleo de soja não contém colesterol
Soja reduz colesterol


2º SEMINÁRIO ANUAL DO PROGRAMA SOJA PLUS, EM BRASÍLIA, REUNIU DEPUTADOS, REPRESENTANTES DO GOVERNO, DE ONGS E DE EMBAIXADAS  

Com a presença de 80 participantes – deputados federais, representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério do Meio Ambiente, do Banco do Brasil, das embaixadas dos EUA, da Alemanha e da Holanda, de organizações não-governamentais (ONGs) e empresariais do setor agrícola, realizou-se no dia 3 de abril, terça-feira, em Brasília, o 2º Seminário Anual do Programa Soja Plus, de melhoria da gestão da propriedade rural, criado em 2010.

Neste ano, os organizadores do Soja Plus levaram para o seminário o tema dos desafios da adequação da legislação trabalhista na propriedade rural brasileira, que foi apresentado por Cristiano Zaranza, chefe da assessoria jurídica da CNA – Confederação Nacional da Agricultura.

A falta de orientação ao produtor rural nessa área foi um dos temas que justificou a instituição do programa Soja Plus, que tem como principal objetivo sensibilizar, capacitar e oferecer assistência técnica para o produtor se adequar às rigorosas legislações socioambientais em vigor.

O diretor executivo da Aprosoja MT, Marcelo Duarte, falou sobre os resultados do Soja Plus em 2011 e as ações que serão executadas em 2012. O superintendente do ARES – Instituto para o Agronegócio Responsável, Ocimar Villela, finalizou as apresentações, indicando a futura expansão do Soja Plus para outros estados brasileiros com tradição em sojicultura: Bahia, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

O Soja Plus apresenta uma metodologia de trabalho alicerçada em cinco módulos de gestão da propriedade rural: qualidade de vida no trabalho, melhores práticas de produção, viabilidade econômica, qualidade do produto e responsabilidade social.

O programa é organizado pelas seguintes entidades: ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, APROSOJA – Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso e SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Conta com os seguintes parceiros: Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia – AIBA, Associação Nacional de Exportadores de Cereais - ANEC, Fundação MT, Instituto para o Agronegócio Responsável - ARES, Embrapa-Soja, Instituto Algodão Social, SENAR-MT, SENAR-BA e Universidade Federal de Viçosa.

Sucesso
Em 2011, 1.200 sojicultores e funcionários de Mato Grosso receberam material técnico, participaram de diversas oficinas de trabalho, cursos e treinamentos específicos sobre como realizar uma boa gestão da propriedade rural. O primeiro módulo do programa tratou de normas trabalhistas, saúde e segurança ocupacional.

No início de 2012, o Soja Plus foi apresentado em dias de campo para 3.100 produtores rurais, pesquisadores e estudantes de 10 municípios do MT. Ainda em 2012, foram contratados supervisores de campo (engenheiros agrônomos e florestais) para orientar individualmente os produtores a adotarem práticas ambientais e sociais sustentáveis em suas fazendas.

Os organizadores do Soja Plus escolheram Brasília para realizar o segundo seminário porque a capital federal pode proporcionar a desejada visibilidade que o programa pretende na fase atual. Brasília, sede do Executivo, do Legislativo, de organismos internacionais e embaixadas, é local ideal para divulgar as ações do Soja Plus. O Brasil e o mundo precisam conhecer aquele que pretende ser o melhor projeto em matéria de gestão da propriedade rural.

Deputados federais presentes
Estiveram presentes no 2º Seminário Anual do Soja Plus os deputados Reinhold Stephanes (PSD-PR), ex-ministro da Agricultura, Marcos Montes (PSD-MG), membro da Frente Parlamentar de Agricultura, Nilson Leitão (PSDB-MT), vice-presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Ministério do Meio Ambiente
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi representada por Paulo Cabral, secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do ministério.

Para mais informações sobre o Soja Plus, acesse www.sojaplus.com.br



FINANCIAL TIMES DISCUTE, EM LONDRES, OS DESAFIOS DE UMA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL NO BRASIL  

Fabio Trigueirinho, secretário-geral da ABIOVE, fez a apresentação “A Sojicultura Brasileira e os Novos Desafios para a Sustentabilidade”

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) é uma das entidades do agronegócio brasileiro que participou, no dia 29 de março, em Londres, de seminário do jornal britânico Financial Times sobre o Brasil e os desafios de uma agricultura sustentável num contexto de crescente demanda por alimentos. O evento foi uma promoção conjunta com a embaixada do Brasil no Reino Unido. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, autoridades agrícolas da União Europeia, líderes de setores chave do agronegócio brasileiro, representantes de ONGs e a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), participaram dos debates, conduzidos por editores do Financial Times.

O seminário abordou o posicionamento do Brasil frente aos novos desafios da sustentabilidade. O país, que há 30 anos era importador de produtos agrícolas, tornou-se, nas duas últimas décadas, um celeiro de alimentos para o mundo, destacando-se, quando não na liderança, nos primeiros três lugares do ranking exportador mundial de várias commodities. Ao mesmo tempo, é alvo de críticas de entidades da sociedade civil, que consideram que o Brasil, como potência emergente, está exaurindo seus recursos naturais para manter o status de potência agrícola. Setores do agronegócio brasileiro, como o de carnes (bovina e de aves), o de açúcar e álcool, o de laranja e o de soja, mostraram suas iniciativas e políticas adotadas para enfrentar os desafios de uma agricultura sustentável.

Ser potência agrícola é um status compatível com a preservação do meio ambiente, sobretudo do bioma Amazônia. Esse enfoque permeou a apresentação de Fabio Trigueirinho, secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). Após a palestra, ele debateu com dirigentes das ONGs IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e Greenpeace.

Brasil, transparente na comunicação
Trigueirinho disse que o Brasil é muito mais transparente na comunicação e divulga, inclusive, listas de desmatadores e empregadores que praticam condições degradantes de trabalho na internet. Entretanto, com frequência as críticas são exageradas, e as exceções são divulgadas como se fossem regra.

O Brasil é identificado como um grande desmatador, apesar de deter um quinto das reservas florestais do mundo. Na América Latina estão 35% das matas remanescentes, na América do Norte, 28%, no norte da Ásia, 19%, na região do Pacífico Sul, 7%, na África, 8%, e na Europa, 3%.

A governança pública melhorou substancialmente nos últimos cinco anos. O país desenvolveu um conjunto de ferramentas eficientes de comando e controle: um sistema de detecção de desmatamento e incêndios em tempo real, legislação ambiental e social ampla com punições rigorosas, listas de áreas embargadas do Ibama, cadastro ambiental rural e coordenação das ações de fiscalização.

Fabio Trigueirinho falou sobre a queda acentuada do desmatamento no Bioma Amazônia, nos últimos anos, e ações de sustentabilidade da cadeia da soja, entre elas, o Pacto da Moratória da Soja e o Programa de Gestão Econômica, Ambiental e Social (Soja Plus).

Agora a agenda mudou. O produtor rural brasileiro se transformou em um prestador de serviços ambientais e precisa ser remunerado pelos seus ativos. O esforço extra do produtor rural brasileiro para conservar florestas e a biodiversidade do planeta precisa ser estimulado, por exemplo, por meio do pagamento dos créditos de carbono, para viabilizar economicamente a produção com a conservação ambiental.

A União Europeia, um dos principais exportadores agrícolas mundiais, apresentou, no seminário, a sua leitura sobre os programas brasileiros de sustentabilidade. Esses comentários foram apresentados por John Clarke, da Direção Geral de Agricultura & Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia.



A REDUÇÃO DO CUSTO BRASIL  

Os usuários do transporte ferroviário a apoiam gestão profissional da ANTT

Por Carlo Lovatelli – Artigo publicado em O Estado de S. Paulo em 04 de Fevereiro de 2012

O Brasil vem atraindo atenção e investimentos produtivos externos em grande escala. Entre os setores dinâmicos que contribuem para o bom desempenho da nossa economia está o agronegócio, um dos mais modernos do mundo. O campo brasileiro demanda melhorias contínuas e significativas nas condições de competitividade numa área que sempre foi conhecida por ter gargalos: a logística, mais precisamente, os transportes ferroviários de carga, para que o País possa aproveitar a oportunidade de crescimento da demanda mundial de alimentos. O modal ferroviário é o mais adequado para o transporte de grandes volumes de granéis agrícolas a longas distâncias, como é o caso do Brasil.

Nos últimos quatro anos, os usuários desses transportes têm registrado um movimento positivo de aperfeiçoamento do marco regulador para estimular maior competição entre as concessionárias e também para incentivar novos investimentos. Nesse período, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fez o que era necessário: pôr em prática a propalada redução do "custo Brasil".

Tal movimento sadio de busca da eficiência logística vem se propagando em ondas contínuas, o que é muito bom para o País. A sexta economia mundial não pode parar de crescer de forma sustentável e precisa continuar melhorando a sua competitividade diante dos concorrentes.

Em julho do ano passado, por meio de três resoluções, a ANTT reequilibrou a relação concessionária - usuários. A regulação da agência é relevante pelas características monopolísticas do negócio de transporte ferroviário. Seis meses depois, a agência propôs, com base em levantamentos de custos, a revisão dos tetos tarifários do transporte ferroviário de cargas, vigentes há 15anos. As resoluções de julho de 2011e essa última proposta que a ANTT submeteu à consulta pública constituem um conjunto de iniciativas para atualizar e modernizar uma estrutura herdada das privatizações da década de 1990.

Duas dessas resoluções, quando consideradas conjuntamente, levam ao aumento da oferta de serviços de transporte e à maior concorrência entre as empresas. Isso será o resultado da exigência de cumprimento de metas de produção pelas concessionárias em cada trecho da malha sob sua concessão.

A ANTT também aprovou a criação de um regulamento de defesa dos usuários para garantir equilíbrio na relação econômica entre estes e as concessionárias. Garantirá, por exemplo,qualidade na prestação de serviços pela determinação de entrega dos produtos transportados no local e no prazo contratados, evitando inúmeros transtornos que já ocorreram.

A revisão tarifária nas ferrovias, por sua vez,era prevista para ocorrer acada cinco anos, mas nada havia sido feito para pô-la em prática. A importância da medida é que, pela primeira vez, a ANTT definiu a metodologia que reduz os tetos tarifários para o transporte ferroviário de carga e, com isso, repassa parte dos ganhos de produtividade aos usuários desses serviços, cujos volumes contratados contribuíram para sua consecução. A revisão das tarifas ferroviárias deverá vigorar a partir de abril, depois da análise final das ponderações apresentadas na consulta pública. Em consequência, a ANTT espera reduzir os custos de transporte, o que resultará em melhoria de competitividade.

Por tudo isso, os usuários do transporte ferroviário consideram crucial a continuidade da gestão profissional da ANTT e apoiam a recondução dos dirigentes atuais para mais um mandato.

A ANTT está atenta à realidade do transporte ferroviário de carga - segmento altamente concentrado -, que, ao contrário do rodoviário, se ressente de maior competição entre as concessionárias. As posições adotadas pelo órgão regulador resultam numa gestão eficaz, que busca o equilíbrio nas relações entre concessionárias e usuários.

Precisamos de mais do mesmo: competência, visão, profissionalismo, serviço público de qualidade.



I SEMINÁRIO SOJA PLUS  

Produção de soja sem desmatamento. Esta é a proposta do Soja Plus, acordo criado no inicio deste ano por representantes de produtores, exportadores e industria. Durante o evento desta terça, o programa foi apresentado ao publico em geral. O objetivo é atrair profissionais dispostos a atuar em grupos de trabalho para orientar produtores rurais no cultivo sustentável do grão.

"O primeiro grupo de trabalho vai definir princípios e critérios, justamente os requisitos que os produtores têm que atender para receber certificados. E um outro grupo vai trabalhar a questão de Cadeia de Custódia e a possibilidade de uma certificação em grupo", afirmou o coordenador ambiental da Abiove, Bernardo Machado Pires.

Para a devida operacionalização do Programa, a iniciativa passará por duas consultas públicas além de testes de campo nos Biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. A fase de elaboração do programa coincide com um momento de preços altos no mercado da soja, o que costuma aumentar o risco de avanço da cultura em áreas de floresta. Apesar da oscilação registrada esta semana, as cotações se mantém acima de US$10,00 na bolsa de Chicago e influenciam o mercado interno. O diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Ricardo Arioli Silva, diz que a alta ajuda o produtor na tomada decisões.

"Serviu muito bem para os produtores tomarem posições para a próxima safra. E essa tomada de posição, apesar do problema do dólar, facilita um pouco enxergar lá na frente o tamanho do lucro, o investimento. O produtor planta um pouco mais seguro com isso", acrescentou Bernardo Machado Pires.

Clique aqui para acessar matéria do Canal Rural sobre o evento.



DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA APRESENTA REDUÇÃO E MORATÓRIA DA SOJA É UMA DAS CAUSAS  

Veja abaixo matéria veiculada no dia 15 de abril de 2010 no Jornal Nacional (Rede Globo) sobre a queda do desmatamento na Amazônia, citando o papel da Moratória da Soja nesse processo e entrevista com o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli.



LANÇAMENTO DO SOJA PLUS  

A produção de soja brasileira conta com um novo programa de gestão sócio-ambiental da propriedade rural

O Soja Plus está sendo organizado pelas seguintes entidades: ABIOVE - Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, APROSOJA - Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso, ANEC - Associação Nacional dos Exportadores de Cereais e ARES - Instituto para o Agronegócio Responsável.

A adesão ao Soja Plus será feita de forma voluntária e sua implementação seguirá um processo de melhoria contínua dos indicadores de sustentabilidade. Trata-se de um programa inclusivo cujo objetivo é a gestão sócio-ambiental das propriedades e a capacitação dos produtores nos seus diversos estágios de adequação sócio-ambiental, os quais estarão, ao final do processo, aptos a receber o selo de certificação do programa e de outras iniciativas existentes.

Em síntese, o Soja Plus tem como proposta ser uma certificação simples e verificável, evitando assim custos e burocracia desnecessários, o que facilitará a sua implementação. Ao mesmo tempo, será capaz de atender aos anseios por uma produção sustentável de soja, o que beneficiará a todos os participantes e ao país pelo aumento das oportunidades econômicas, pela melhoria das condições sócio-ambientais e valorização da imagem da soja brasileira.

O lançamento do Programa Soja Plus aconteceu no dia 6 de abril de 2010 no Maksoud Plaza Hotel, em São Paulo. O evento contou com café da amanhã de lançamento e entrevista coletiva. Participaram da entrevista coletiva do lançamento do programa Soja Plus, os seguintes representantes das instituições organizadoras e da SGS que auditou os testes de campo: Bernardo Pires - Engº Florestal - ABIOVE; Carlo Lovatelli - Presidente da ABIOVE; Felicio Aguiar - Presidente da Anec; Luis Eduardo - Gerente de Sistemas e Serviços de Certificação; Ocimar Villela - Superintendente do Instituto ARES; Ricardo Arioli - Diretor Aprosoja e Vanda Nunes - Gerente de Marketing e Produção da SGS.

Clique aqui para mais informações sobre o Soja Plus



TELECONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO 3º ANIVERSÁRIO DA MORATÓRIA DA SOJA  

Realizada no dia 28 de julho de 2009 em Brasília, a teleconferência contou com a participação de audiência nacional e internacional. O video da teleconferência estará disponível para todos os interessados durante os próximos três meses no link abaixo. Após acessar o link, você deverá fazer um pequeno cadastro informando nome completo, e-mail e empresa para acessar o vídeo.

Clique aqui para acessar a Teleconferência Internacional do 3º Aniversário da Moratória da Soja.



MORATÓRIA DA SOJA, NOVOS DESAFIOS MARCAM A RENOVAÇÃO DA PARCERIA DE EMPRESAS E ONGS  

No dia 28 de julho de 2009, o setor empresarial ligado ao processamento e exportação de soja (ABIOVE, ANEC e empresas associadas de ambas as entidades), organizações da sociedade civil (Greenpeace, Conservação Internacional-Brasil, WWF-Brasil, IPAM e TNC) e o Ministério do Meio Ambiente anunciaram a renovação da Moratória da Soja no Bioma Amazônia até Julho de 2010. A moratória é o compromisso de não comercializar soja oriunda de áreas desmatadas no bioma após 24 de Julho de 2006 e comemora seu terceiro aniversário.

Começando como uma iniciativa do setor privado e da sociedade civil, a moratória recebeu o apoio do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, que se uniu formalmente à iniciativa no ano passado. Segundo Minc, "A Moratória da Soja é um exemplo bem sucedido. O monitoramento do Meio Ambiente avaliou que a soja deixou de ser um elemento importante no desmatamento da Amazônia."

Criado em 2006 para implementar a moratória, o Grupo de Trabalho da Soja - GTS -, que reúne empresas e ONGs, avalia que a iniciativa tem dado importante contribuição para a redução da taxa de desmatamento anual da Amazônia. Segundo o GTS, nestes três anos de moratória, foram feitos avanços concretos, como a criacao de um sistema de monitoramento combinando imagens de satélite, sobrevôos e visitas de campo que possibilitaram às empresas identificar propriedades que não se adequaram à moratória e que foram retiradas pela ABIOVE e ANEC da lista de fornecedores. Mas o GTS considera que ainda não foram criadas condições suficientes de governança no bioma Amazônia para que seja possível suspender a moratória.

Inovações no monitoramento
Os dados do INPE sobre a perda de cobertura florestal na Amazônia no ano passado indicaram uma mudança de perfil nos desmatamentos, com um aumento do número de áreas desmatadas inferiores a 100 hectares, compensado por uma queda expressiva do desmatamento em áreas maiores - exatamente as que são diretamente monitoradas pelo GTS. Por isso, será necessário alterar o sistema de monitoramento para incluir os pequenos desmatamentos na análise da próxima safra - que começa a ser plantada em outubro. O GTS pretende adotar um sistema de amostragem, com o uso de tecnologia de sensoriamento remoto que permita identificar as culturas através de imagens de satélite de resolução espacial adequada. Este avanço tecnológico deverá possibilitar a pré-seleção das propriedades que serão objeto das visitas de campo, viabilizando o monitoramento de um número expressivo de desmatamentos na Amazônia em 2009/2010.

Prioridade para o cadastramento das propriedades
Segundo o presidente da ABIOVE, Carlo Lovatelli, coordenador da indústria no GTS, uma das principais prioridades será estimular o cadastramento e licenciamento ambiental das propriedades rurais. O cadastro permite consultar a localização precisa do imóvel, identificação do proprietário e acompanhar as áreas de reserva legal e de preservação permanente da propriedade - APPs. As empresas promoverão campanhas de orientação e conscientização dos produtores rurais, em consonância com os esforços dos governos dos Estados, como o programa recém-lançado "MT Legal", do governo do Mato Grosso. Paralelamente, o GTS cobrará do governo federal o apoio à melhor estruturação de órgãos estaduais responsáveis pelo cadastramento e licenciamento. "Para que o agronegócio possa operar com transparência no bioma Amazônia, é necessário que o produtor da soja cadastre a sua propriedade e que o governo faça a sua parte. Este é um passo fundamental para garantir aos clientes a qualidade ambiental do nosso produto", disse Lovatelli.

A Moratória em Copenhague
O Grupo de Trabalho da Soja pretende expor o caso da Moratória em sessão paralela à reunião da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em dezembro, em Copenhague. O objetivo é demonstrar que medidas de responsabilidade corporativa como a Moratória da soja podem contribuir concretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

"Iniciativas como essa precisam receber o apoio da comunidade internacional por meio da adoção de mecanismos financeiros que permitam apoiar a preservação das florestas e do clima sem prejuízo da produção de alimentos", diz Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace e coordenador da sociedade civil no GTS. "Ao lado do aumento da capacidade institucional de monitoramento e preservação por parte de governos, é preciso dinheiro novo sobre a mesa para que comunidades locais e produtores rurais possam produzir sem desmatar", afirma Adario. Lovatelli, da Abiove, faz coro: "O pagamento por serviços ambientais será um grande incentivo para o produtor rural deixar de desmatar. A indústria espera que em Copenhague, os governos de diferentes países assumam este compromisso".

Sistema de Verificação
Segundo Lovatelli, a ABIOVE proporá ao GTS um sistema de verificação voluntária e remunerada, em parceria entre o setor produtivo e organizações da sociedade civil. Isto será obtido aliando-se a experiência da Moratória com a criação de instrumentos simples e operacionais adequados às especificidades brasileiras, respeitando-se os níveis de expectativa do consumidor por um produto responsável. "A remuneração via verificação será um atrativo adicional para os produtores cadastrarem suas propriedades e seguirem a legislação ambiental e trabalhista brasileira, ao mesmo tempo em que adotam as melhores práticas," destaca Lovatelli.

Membros do GTS



ÓLEO DE SOJA NÃO APRESENTA RISCO À SAÚDE HUMANA GARANTE ITAL  

O ITAL Instituto de Tecnologia dos Alimentos divulgou em 15 de setembro que será apresentada no 45th Congress of the European Societies of Toxicology na Grécia a pesquisa coordenada por Mônica Rojo de Camargo que objetiva conhecer o nível de presença de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA) no óleo de soja refinado, compostos que podem ser cancerígenos. Em razão da repercussão da matéria na mídia brasileira e para evitar um entendimento equivocado da questão o ITAL publicou em 19 de setembro a nota de esclarecimentos apresentada a seguir, que destacou entre outras coisas:

1) Esta é a primeira fase da pesquisa. Não foi avaliado o nível de exposição do consumidor e seu eventual risco, considerando o nível de consumo do óleo de soja;

2) Os consumidores não precisam deixar de consumir o produto. Os profissionais envolvidos na pesquisa não deixarão de consumir o óleo de soja, posto que confiam na boa qualidade desses produtos e responsabilidade das empresas;

3) Não há motivos para alarme da população, nem da imprensa.

A ABIOVE através da sua Comissão Técnica, composta por profissionais especializados do seu quadro associativo, manteve contato com a pesquisadora do ITAL, avaliou as informações disponíveis e concluiu pela total segurança do óleo de soja refinado, baseada nos seguintes fatos:

1) A divulgação da pesquisa do ITAL foi precipitada
A presença de HPAs nos alimentos é uma questão relativamente nova, que está sendo objeto de pesquisas mundiais. Ainda não foram estabelecidos parâmetros técnicos internacionais para HPAs. Somente a União Européia criou uma referência máxima de 2 PPB (parte por bilhão) para um dos compostos dos HPAs, que é o benzoalfapireno. Trata-se de uma pesquisa inicial do ITAL para identificar o perfil dos HPAs no óleo de soja, desenvolvida com metodologia própria que ainda precisa ser consolidada, após a publicação do resultado e discussão do trabalho pela comunidade cientifica.

2) Os HPAs são removidos no refino do óleo de soja
Durante o processo de refino o óleo de soja passa por duas etapas que garantem a eliminação de hidrocarbonetos: - a desodorização (com temperaturas de 250° C) e a clarificação. Análises do óleo de soja refinado realizadas pelas empresas produtoras indicam apenas a presença de traços, inferiores a 2 PPB (duas partes por bilhão) de benzoalfapireno, patamar que é a referência européia;

3) Os produtos oleaginosos brasileiros se destacam mundialmente pela qualidade
As indústrias de óleos vegetais investem pesadamente no controle de qualidade do produto, e todo o processo produtivo é monitorado. A União Européia é o principal mercado para os produtos oleaginosos brasileiros. Aquele exigente bloco econômico de 27 países importou no período janeiro a agosto de 2.008 um volume de 6,65 milhões de toneladas de soja em grão (o que representa 33% do total exportado), 6,06 milhões de toneladas de farelo de soja (o que representa 73,4% do total exportado) e 392 mil toneladas de óleo de soja de origem brasileira (o que representa 25,2% do total exportado), respectivamente. Os europeus não comprariam tais volumes se os produtos brasileiros apresentassem risco à saúde humana;

4) O óleo refinado de soja é totalmente seguro
Os pesquisadores do ITAL declararam na nota de esclarecimento à imprensa que não deixarão de consumir o óleo de soja, confiando na responsabilidade das empresas. Além disso, o produto é sujeito ao controle e fiscalização duplo, por parte do Ministério da Saúde/ANVISA e do Ministério da Agricultura. Não há motivo para qualquer alarme. HPAs estão presentes em diversos alimentos, bebidas, e até no ar poluído que respiramos em muitas cidades brasileiras.

Fabio Trigueirinho
Secretário Geral da ABIOVE

 

Nota de esclarecimento - Reportagem "ITAL detecta compostos cancerígenos no óleo de soja"

19/09/2008 - Tendo em vista a repercussão alcançada, a Assessoria de Comunicação do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento), a Diretoria do Centro de Ciência e Qualidade dos Alimentos (CCQA) e a Diretoria Geral do ITAL gostariam de fazer alguns esclarecimentos. Alguns deles são relativos a aspectos já contemplados na reportagem, que aborda informações reais de resultados legítimos obtidos por um trabalho científico, e outros complementam tais informações.

1 - Essa pesquisa se deve ao fato de que existem poucas informações sobre a presença de HPAs (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos) nos alimentos e, portanto, pouco se conhece sobre os risco que essa presença representa. A partir de estudos semelhantes é que se espera estabelecer o nível de exposição do consumidor a um produto e qual o risco dessa exposição, determinando a quantidade de HPAs encontrados e avaliando o nível de consumo daquele produto. O trabalho realizado cumpriu o primeiro objetivo com as amostras analisadas de óleo de soja. Os resultados obtidos fazem parte de uma geração de informações sobre o tema que envolve instituições do mundo todo, com vistas em avaliar a real dimensão dos HPAs na alimentação;

2 - A reportagem destacou o óleo de soja por ter sido o primeiro produto analisado com este objetivo no ITAL. Estudos posteriores serão feitos com outros alimentos;

3 - Os consumidores não precisam deixar de consumir o produto com base no resultado obtido na pesquisa; os profissionais envolvidos no trabalho, que utilizam o óleo de soja em sua alimentação declararam que não deixaram nem deixarão de fazê-lo, confiando na boa qualidade desses produtos e na responsabilidade das empresas do setor;

4 - As empresas que produzem óleo de soja no Brasil são, em geral, bastante responsáveis e seus produtos passam por rigoroso controle de qualidade antes de sua comercialização. Os resultados dos estudos científicos, como os que serviram de base para essa reportagem, devem ser utilizados como informações por essas empresas e para que elas aprimorem ainda mais um produto que já é de boa qualidade;

5 - Esclarecemos, por fim, que não há motivos para alarme da população nem da imprensa. Estamos à disposição para auxiliar na difusão de informações adicionais, precisas e baseadas em dados científicos.

Comunicado extraído do site do ITAL - http://www.ital.sp.gov.br/
Destaques em negrito feitos pela Abiove



AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA A PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE SOJA  

Uma missão formada por representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) apresentou a deputados europeus, em Bruxelas, as ações de sustentabilidade ambiental adotadas pelo agronegócio brasileiro, particulamente nas áreas de soja e etanol. O grupo esteve também em Berlim, Amsterdã, Roterdã, Haia e Arhnen. "Mostramos que assumimos nossas responsabilidades e estamos corrigindo falhas", afirmou Carlo Lovatelli, que acumula as presidências da Abag e da Abiove.

Clique aqui para ver a apresentação (arquivo pdf - 1,8 Mb)



PACTO NACIONAL PELA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO  

A ABIOVE - Associação Brasileira das Indústrias de óleos Vegetais apoiou e participou do seminário dos dois anos do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo que aconteceu no dia 17 de maio, em São Paulo, realizado pelo Instituto Ethos, OIT Brasil e Repórter Brasil.



QUANDO O AMAZONAS CORRIA PARA O PACÍFICO: UMA HISTÓRIA DESCONHECIDA DA AMAZÔNIA  

Quando o Amazonas corria para o Pacífico: uma história desconhecida da Amazônia, este é o título do livro de autoria de Evaristo Eduardo de Miranda, que foi lançado, pela Editora Vozes, no dia 1 de março.

Houve um tempo em que o rio Amazonas corria para o Oeste e desaguava no Oceano Pacífico. Após separar-se da África e antes de se ligar à América do Norte, por milhões de anos a América do Sul permaneceu isolada, como uma ilha imensa. Suas plantas e animais evoluíram diferentemente dos demais continentes. Com o soerguimento dos Andes, um grande mar interior - onde viviam jacarés de 30 metros, tubarões de água doce e estranhos golfinhos - recobriu parte da Amazônia. O grande rio inverteu seu curso para o Leste, em direção ao Atlântico. Então surgiu o istmo do Panamá, ligando as Américas, e a região assistiu a uma invasão de espécies do Norte: felinos, camelos, herbívoros, roedores. E muito depois, pelo mesmo caminho, chegaram caçadores coletores e povoaram a Amazônia em levas sucessivas.

Este livro apresenta uma nova perspectiva com relação à história da Amazônia: os habitantes originais; os primeiros europeus a chegar; a incorporação ao território nacional; as aventuras do Império do Brasil para garantir esse território.

Uma obra essencial na atual conjuntura mundial, em que tenta-se discutir a soberania nacional sobre este cobiçado território. O leitor vai descobrir uma história recheada de estratégia geopolítica, meandros inesperados, tragédias, heróicas surpresas, episódios ocultos, aventuras guerreiras e religiosas ao longo de mais de três séculos.

Sobre o autor
O ecólogo Evaristo de Miranda é paulistano, agrônomo, com Mestrado e Doutorado em Ecologia na França. É autor de uma centena de trabalhos técnicos e científicos publicados no Brasil e exterior, incluindo uma dezena de livros. É perito do Ministério Público Federal e Estadual, tendo atuado em diversos processos e ações. Participa de várias associações e sociedades científicas e profissionais, e orienta empresas comprometidas com a sustentabilidade ambiental. Foi professor de ecologia na Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é chefe geral da EMBRAPA - Monitoramento por Satélite. É consultor da FAPESP, FAO, OEA, UNESCO e de diversas instituições nacionais e internacionais, públicas e privadas, atuando em vários países.



CAMPEÕES DE DESMATAMENTO  
por Evaristo Eduardo de Miranda (*)

Há 8 mil anos, o Brasil possuía 9,8% das florestas mundiais. Hoje, o País detém 28,3%. Dos 64 milhões de km2 de florestas existentes antes da expansão demográfica e tecnológica dos humanos, restam menos de 15,5 milhões, cerca de 24%. Mais de 75% das florestas primárias já desapareceram. Com exceção de parte das Américas, todos os continentes desmataram, e muito, segundo estudo da Embrapa Monitoramento por Satélite sobre a evolução das florestas mundiais.

A Europa, sem a Rússia, detinha mais de 7% das florestas do planeta e hoje tem apenas 0,1%. A África possuía quase 11% e agora tem 3,4%. A Ásia já deteve quase um quarto das florestas mundiais, 23,6%, agora possui 5,5% e segue desmatando. No sentido inverso, a América do Sul, que detinha 18,2% das florestas, agora detém 41,4%, e o grande responsável por esses remanescentes, cuja representatividade cresce ano a ano, é o Brasil.

Se o desflorestamento mundial prosseguir no ritmo atual, o Brasil - por ser um dos que menos desmatou - deverá deter, em breve, quase metade das florestas primárias do planeta. O paradoxo é que, ao invés de ser reconhecido pelo seu histórico de manutenção da cobertura florestal, o País é severamente criticado pelos campeões do desmatamento e alijado da própria memória.

Na maioria dos países, a defesa da natureza é fenômeno recente. No Brasil, vem de longa data. Desde o século 16, as Ordenações Manuelinas e Filipinas estabeleceram regras e limites para exploração de terras, águas e vegetação. Havia listas de árvores reais, protegidas por lei, o que deu origem à expressão "madeira de lei". O Regimento do Pau Brasil, de 1605, estabeleceu o direito de uso sobre as árvores, e não sobre as terras. As áreas consideradas reservas florestais da Coroa não podiam ser destinadas à agricultura. Essa legislação garantiu a manutenção e a exploração sustentável das florestas de pau-brasil até 1875, quando entrou no mercado a anilina. Ao contrário do que muitos pensam e propagam, a exploração racional do pau-brasil manteve boa parte da mata atlântica até o final do século 19 e não foi a causa do seu desmatamento, fato bem posterior.

Em 1760, um alvará real de dom José I protegeu os manguezais. Em 1797, uma série de cartas régias consolidou as leis ambientais: pertencia à Coroa toda mata à borda da costa, de rio que desembocasse no mar ou que permitisse a passagem de jangadas transportadoras de madeiras. A criação dos Juízes Conservadores, aos quais coube aplicar as penas previstas na lei, foi outro marco em favor das florestas. As penas eram de multa, prisão, degredo e até pena capital para incêndios dolosos. Também surgiu o Regimento de Cortes de Madeiras, com regras rigorosas para a derrubada de árvores, além de outras restrições à implantação de roçados.

Em junho de 1808, dom João VI criou a primeira unidade de conservação, o Real Horto Botânico do Rio de Janeiro, com mais de 2.500 hectares, hoje republicanamente reduzido a 137 hectares. Uma ordem, de 9 de abril de 1809, deu liberdade aos escravos que denunciassem contrabandistas de pau-brasil e decreto de 3 de agosto de 1817 proibiu o corte de árvores nas áreas das nascentes do Rio Carioca. Em 1830, o total de áreas desmatadas no Brasil era inferior a 30 mil km2. Hoje se corta mais do que isso a cada dois anos. Em 1844, o ministro Almeida Torres propôs desapropriações e plantios de árvores para salvar os mananciais do Rio de Janeiro. Em 1861, pelo Decreto Imperial 577, de dom Pedro II, foi criada (e plantada) a Floresta da Tijuca.

A política florestal da Coroa portuguesa e brasileira logrou, por diversos mecanismos, manter a cobertura vegetal preservada até o final do século 19. O desmatamento brasileiro é fenômeno do século 20. Em São Paulo, Santa Catarina e Paraná, a marcha para o oeste trouxe grandes desmatamentos. As florestas de araucárias foram entregues pela Ré-pública aos construtores anglo-americanos de ferrovias, juntamente com as terras adjacentes.

Na Amazônia, a maior ocupação ocorreu na segunda metade do século 20 com migrações, construção de hidrelétricas, estradas e outras infra-estruturas. Há 30 anos, o desmatamento anual varia de 15 mil a 20 mil km2, com picos de 29 mil e 26 mil km2 em 1995 e 2003. Nos últimos dois anos, passou a 11 mil km2, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Apesar de generalizações equivocadas, o desmatamento brasileiro não produziu desertos. Como na Europa, as florestas cederam lugar à agricultura moderna e competitiva, à pecuária, às florestas plantadas (seringa, café, eucalipto, laranja, teca...) e às cidades. O Brasil é um líder agrícola mundial.

O estudo da Embrapa indica que, apesar do desmatamento dos últimos 30 anos, o Brasil é um dos países que mais mantêm sua cobertura florestal. Dos 100% de suas florestas originais, a África mantém hoje 7,8%, a Ásia 5,6%, a América Central 9,7% e a Europa - o pior caso do mundo - apenas 0,3%. Embora se deva mencionar o esforço de reflorestar para uso turístico e comercial, não é possível ignorar que 99,7% das florestas primárias européias foram substituídas por cidades, cultivos e plantações comerciais.

Com invejáveis 69,4% de suas florestas primitivas, o Brasil tem grande autoridade para tratar desse tema ante as críticas dos campeões do desmatamento mundial, como tem proclamado o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes. Há que ter também responsabilidade para reavivar, por meio de políticas e práticas duradouras, a eficácia das medidas históricas de gestão e exploração que garantiram a manutenção das florestas primárias brasileiras.

(*) Evaristo Eduardo de Miranda, doutor em Ecologia, é chefe geral da Embrapa Monitoramento por Satélite
E-mail: mir@cnpm.embrapa.br
Artigo publicado no jornal Estado de S.Paulo, em 17/01/2007


2º DIAGNÓSTICO DO PLANTIO DIRETO NO BRASIL  

Os resultados do segundo levantamento acerca do estado das artes do plantio direto no Brasil foram divulgados pelo presidente da Agrisus, Fernando Penteado Cardoso, durante o X Encontro Nacional do Plantio Direto.

Para ler a íntegra da palestra apresentada durante o evento visite: http://www.agrisus.org.br/noticias.asp?cod=157



CÂMARA TEMÁTICA DE COMPETITIVIDADE E SUSTENTABILIDADE DO AGRONEGÓCIO  

Foi criada recentemente a Câmara Temática de Competitividade e Sustentabilidade do Agronegócio do Ministério da Agricultura, que que tem como objetivo aprofundar a discussão de temas como integração agricultura e pecuária, irrigação e drenagem, plantio direto na palha e geo-informações agrícolas, entre outros.

As Câmaras Temáticas foram criadas com objetivo de fortalecer o diálogo entre governo e setor privado em torno de assuntos relacionados ao desenvolvimento da agricultura nacional. A idéia de criação da Câmara da Sustentabilidade surgiu no ano passado durante o Alerta do Campo, em Brasília, como uma das alternativas para solução da crise no setor. A sugestão foi entregue na época ao ao então Ministro Roberto Rodrigues.



UNIVERSIDADE DE HARVARD E OS ÓLEOS VEGETAIS  

Em seu livro Eat, Drink, and Be Healthy: The Harvard Medical School Guide to Healthy Eating, o renomado pesquisador e professor Walter Willet, chefe do Departamento de Nutrição da Universidade de Harvard, elaborou uma nova pirâmide dos alimentos, levando em consideração uma série de estudos e evidências coletadas ao longo de 40 anos. Segundo ele, a pirâmide utilizada anteriormente como modelo nos Estados Unidos, elaborada pelo Departamento de Agricultura (USDA) fazis com que as pessoas evitassem alimentos que comprovadamente são benéficos para a saúde.

Uma das alterações realizadas foi a transferências dos óleos vegetais para a base da pirâmide, onde são posicionados os alimentos mais saudáveis. O livro descreve vários trabalhos científicos sobre os benefícios de substâncias contidas em óleos para o sistema cardiovascular, além de outros estudos.



SAÚDE E BELEZA  

O programa Globo Repórter, veiculado pela TV Globo, mostrou uma reportagem apontando os benefícios da soja na alimentação humana. Entre outras qualidades funcionais, pesquisas realizadas com o produto no Paraná, mostraram os benefícios que a ingestão de alimentos à base da soja trazem para o tratamento do colesterol, menopausa e a acne.

Além dos benefícios para a saúde, a soja também tem sido aplicada em produtos de beleza, como cosméticos que evitam rugas e flacidez. Cremes que combatem a celulite, cremes de rejuvenescimento, shampoos e artigos para tirar a maquiagem também incorporaram a soja como ingrediente.



ALIMENTOS À BASE DE SOJA SIGNIFICAM SAÚDE  

Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, ESALQ/USP, desenvolvem estudos que demostram a importância de alimentos como a soja para a saúde e nutrição humana. "A alimentação é um componente importante de prevenção e controle no câncer de mama", afirmou Jocelem Salgado, professora da ESALQ/USP, especialista em alimentos que previnem doenças.

A professora, em parceria com a Universidade de Iowa, EUA, pesquisa o uso do leite de soja em mulheres acima de 13 anos como prevenção ao câncer. Para pacientes com antecedentes também tem sido utilizado o mesmo alimento, só que em doses maiores. O uso desse alimento no combate ao câncer vem dando resultados em países como EUA, Japão e Finlândia.



ÓLEO DE SOJA NÃO CONTÉM COLESTEROL  

Cada vez mais a população se preocua com o consumo de alimentos saudáveis. O alto índice de colesterol no sangue foi identificado como fator de risco para problemas do coração. Exames de sangue mensuram a quantidade do chamado colesterol bom (HDL) e do colesterol ruim (LDL). Este último se acumula nos vasos sanguíneos, causando perda de elasticidade e endurecimento das veias.

Algumas pessoas acreditam que o óleo de soja contém colesterol, por terem recebido informações erradas, inclusive pela veiculação temporária de propagandas enganosas na televisão tiradas do ar pelo Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária - CONAR.

Assim em conformidade com o parecer da Comissão Técnica de Assessoramento na área de Alimentos do Ministério da Saúde, esclarecemos que o óleo de soja e todos os demais óleos vegetais não apresentam colesterol.



SOJA REDUZ COLESTEROL  

Durante a 38ª Conferência Anual sobre Doenças Cardiovasculares, Epidemiologia e Prevenção, realizada no Novo México (Estados Unidos) foi divulgado o resultado de um estudo que comprova a propriedade da soja de reduzir o colesterol. É bom lembrar que o óleo de soja não possui colesterol.

Pesquisadores da Universidade de Wake Forest no Estado da Carolina do Norte conseguiram evidências empíricas para comprovar a tese de uma pesquisa publicada pela "The New England Journal of Medicine" em 1995, de que o consumo de soja leva a diminuição dos níveis de colesterol no sangue.

A pesquisa usou 156 pacientes, com níveis moderadamente altos de colesterol (200 a 240 decigramas por mililitro de sangue), que foram divididos em grupos e monitorados por nove semanas. Aqueles que receberam uma bebida à base de soja, contendo isoflavonas - um grupo de substâncias existentes na soja que funcionam como um "hormônio vegetal" - registraram uma redução de até 10% no nível do colesterol. O grupo de pacientes que ingeriram bebidas sem isoflavonas não apresentaram diminuição no colesterol.